Publicado em: 25/05/2026
A satellite glides over Earth showcasing dramatic cloud formations and the vast expanse of space.
Imagem: SpaceX / Pexels | fonte | Pexels License

China Coloca Supercomputador No Espaço E Deixa Rivais Para Trás

A corrida global pelo domínio do espaço está ganhando um novo capítulo com a chegada da China à frente nesta nova era tecnológica. Em 15 de julho de 2025, a China lançou uma constelação de supercomputadores equipados com inteligência artificial (IA) em órbita terrestre, dando início a uma nova fase na disputa por liderança no campo espacial.

A Constelação de Supercomputadores “Três Corpos”

O sistema chamado "Three-Body" ou "Três Corpos", formado pela constelação de satélites interconectados, marca o início de um projeto ambicioso previsto para atingir até 2.800 unidades nos próximos anos. O primeiro lote contava com 12 satélites, cada um carregando modelos de IA com mais de 8 bilhões de parâmetros e processamento de 744 tera operações por segundo (TOPS). Conexões ópticas de alta velocidade garantem baixas latências entre os satélites, permitindo que a rede distribuída alcance já 5 peta operações por segundo (POPS), com projeções para chegar a 1.000 POPS.

Tecnologia Integrada

A comunicação entre os satélites ocorreu através de links ópticos de 100 Gbps, proporcionando desempenho excepcional semelhante ao da infraestrutura terrena. Além disso, a constelação conta com cerca de 30 TB de armazenamento distribuído em várias plataformas, alimentadas principalmente pelo sol no ambiente espacial naturalmente resfriador do espaço.

Implicações Militares E Científicas

O lançamento representa uma virada decisiva na aplicação da IA fora dos limites terrestres. Ainda assim, apenas uma fração insignificante dos dados captados no espaço é atualmente enviada aos servidores terrenos — menos de 10%, conforme estimativas. Com o processamento orbital, é possível agir em tempo real diante de eventos como desastres naturais ou fenômen cósmicos extremos, além de detecção antecipada de ameaças e análise em tempo real das movimentações estratégicas.

Além disso, os satélites trazem instrumentos científicos avançados, incluindo polarímetros de raios X que permitem observar eventos extremos no universo, como explosões de raios gama. Essa capacidade permite que esses dados sejam processados diretamente em órbita sem dependência de centros na Terra, reduzindo custos operacionais e emissão de carbono.

Liderança Técnica E Interesses Estratégicos

O projeto "Three-Body" está liderado pela empresa ADA Space, em parceria com o Zhejiang Lab, instituto de pesquisa apoiado pelo governo do Sichuan. O principal nome ligado ao programa é Wang Jian, cientista vinculado à academia e ex-diretor da Alibaba Cloud. Ele declarou: “Não podemos deixar a inteligência artificial faltar no espaço”.

A iniciativa também tem implicações significativas para fins militares. Segundo especialistas consultados por Bloomberg, o supercomputador orbital pode ser usado para detecção antecipada de ameaças, comando e controle de sistemas autônomos, análise em tempo real das movimentações estratégicas e análises cibernéticas.

Corrida Tecnológica Espacial

Embora os Estados Unidos (EUA) e Europa tenham realizado testes preliminares com supercomputação espacial, este projeto chinês representa um novo paradigma de infraestrutura digital espacial que integra computação, armazenamento e IA sem dependências terrestres. Empresas como a Longshot, que conta com apoio do CEO do ChatGPT, estão explorando esse novo horizonte de oportunidades.

O lançamento "Three-Body" dá passo decisivo na corrida global pela liderança tecnológica no domínio espacial — reforçando ainda mais a posição da China como protagonista nesta nova era da IA e exploração espacial. A estratégia faz parte de um plano maior voltado à soberania tecnológica, incluindo domínio de semicondutores, redes 6G, computação quântica e agora, supercomputadores orbitais.

Com esta constelação, a China inaugura um novo capítulo na militarização do cosmos, dando uma ampla vantagem competitiva sobre rivais ocidentais.

Referencias tecnicas